O blog Leituras & Livros mudou de cara, mas a linha permanece a mesma: muita literatura, mercado e produção editorial, a partir das minhas impressões, experiências e conversas como editora de texto!
A discussão sobre o pagamento de direitos autorais a ilustradores de livros infanto-juvenis tem tomado fôlego nos últimos meses. E a reinvindicação desses profissionais faz mesmo sentido. Talvez em nenhum segmento o papel das ilustrações seja tão importante como na literatura para crianças e jovens, mas é claro que ainda virá um longo debate.
Em alguns livros, a narrativa visual é tão ou mais essencial ao entendimento da trama, ao resultado final, que fica difícil dizer que o autor é apenas um, o do texto verbal. Nesses casos, o texto visual assume uma dimensão que ultrapassa a simples ilustração e, realmente, me parece correto compartilhar os direitos autorais.
Nesse sentido, tenho visto alguns ilustradores assinarem como diretores de arte das publicações em que trabalham, o que pode não ser tão justo assim. Conversando com uma amiga designer semana sobre isso, chegamos à conclusão de que existem muitas escolhas e preocupações que são de responsabilidade do designer gráfico e que não tiram o sono dos ilustradores.
Estes se dedicam mais à elaboração das ilustrações, à sua coerência com o texto da obra, mas não lidam com os aspectos de design e produção gráfica e, por isso, não deveriam assinar como diretores de arte, mas sim como ilustradores que são.
Exceção feita, é claro, àqueles que são também designers e podem atuar como tal, sobretudo em razão de sua formação.
Enfim, estes são alguns pitacos iniciais, porque essa conversa ainda vai dar muito o que falar. Afinal, o segmento infanto-juvenil, seja de literatura ou de didáticos, movimenta muito dinheiro, as tiragens são bem maiores que as demais e, por isso, toda discussão tende a ser acalorada e suscitar muito disse-me-disse.
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Como sou jornalista, mesmo não trabalhando na área, não posso deixar de comentar a “queda” do diploma para o exercício da profissão. Sinceramente, não absorvi bem essa ideia de a obrigatoriedade ser inconstitucional. Afinal, sempre houve, nos veículos, liberdade para colunistas, comentaristas, articulistas e todos os istas possíveis e imagináveis.
Lendo os comentários sobre a notícia no portal Comunique-se, fiquei impressionada com os argumentos que algumas pessoas apresentaram a favor da decisão do STF.
Por exemplo, que os cursos de graduação são muito ruins e não adiantam nada mesmo. Então, respeitada essa lógica, teríamos que acabar com a obrigatoriedade de diploma para todas as carreiras. Pipocam faculdades que facilitam a entrada e a saída, importando apenas o pagamento em dia das mensalidades. Isto, então, seria razão para se parar de exigir a passagem pelos cursos de graduação? O Brasil sempre sai com as respostas mais cômodas, mas menos efetivas para os problemas.
Aliás, o jornalista, coitado, não servirá mais para nada. A assessoria de imprensa já é compartilhada em uma batalha constante com os profissionais de relações públicas – sem entrar no mérito de quem está com a razão – e agora o próprio jornalismo não é mais para jornalistas. Não parece um pouco demais?
Já que o diploma não é mais obrigatório, poderiam pelo menos estabelecer um curso de especialização, como ocorre em alguns países. Como se fosse uma formação em psicanálise, que qualquer profissional pode fazer, mas é necessária para o exercício da atividade.
Afinal, os estudantes de jornalismo aprendem muitas coisas, cursam muitas disciplinas na faculdade que ultrapassam a técnica, ao contrário do que muitos, que estão de fora, podem pensar.
Eu é que não queria ser estudante numa hora dessas. Mudaria de curso na hora.
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O Caderno 2 do Estadão publicou um artigo interessante de Ubiratan Brasil sobre a enorme quantidade de festas literárias, eventos e entrevistas que os autores mais consagrados são levados a dar ou participar e suas possíveis consequências para a criação literária. Afinal, os escritores ainda têm tempo para escrever? É uma reflexão que vale a pena conferir.
O dilema dos escritores diante das festas literárias
estadao.com.br, Caderno 2, 01/06/2009
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090601/not_imp380141,0.php
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Li hoje um artigo muito bom do Umberto Eco, originalmente publicado no New York Times, mas disponível em português no portal do UOL. O texto “Sobre a efemeridade das mídias” trata do nosso desconhecimento em relação à capacidade dos suportes digitais de armazenar, por um prazo mais longo, as informações que temos depositado neles.
Este é um dos trechos mais interessantes, que realmente representa um desafio para arquivistas e bibliotecários: “Os suportes modernos parecem criados mais para a difusão da informação do que para sua conservação”.
Como a humanidade conservará as obras do conhecimento (não só escritas, mas sonoras, visuais) produzidas a partir de agora, quando, muitas vezes, elas já nascem nos suportes digitais?
Será necessário, por exemplo, no caso dos livros, produzir pelo menos alguns poucos exemplares em papel, a fim de garantir sua preservação se a possibilidade de acesso à sua versão digital deixar de existir? O artigo de Eco suscita muitas interrogações.
“Sobre a efemeridade das mídias”, de Umberto Eco
http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/umberto-eco/2009/04/26/ult7202u4.jhtm
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Interessante a notícia que acabei de ler no Publishnews. A Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL) e o Ministério do Trabalho estão desenvolvendo um programa de formação de vendedores porta a porta.
Realmente, nós que moramos nas grandes cidades às vezes nos esquecemos como é importante este setor para o fomento à leitura no Brasil. A venda porta a porta atinge cidades de que as livrarias passam longe. E a compra pela internet, é claro, serve apenas para um determinado grupo de pessoas, com acesso e computadores, cartão de crédito ou mesmo uma conta no banco, uma realidade bem distante para a maioria dos brasileiros.
Não sei vocês leitores, mas eu me lembro perfeitamente da minha mãe comprando livros de vendedores porta a porta, na época do Círculo do Livro, na década de 80. Eram coleções de enciclopédias e de livros infantis, que ela considerava fundamentais para o meu período na escola. Esse tempo ficou mesmo para trás, mas não para todos os leitores e pais brasileiros.
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Meu atual livro de cabeceira é uma surpresa maravilhosa. Nunca tinha ouvido sobre esta pequena obra de Honoré de Balzac, Os jornalistas, em que o autor trata desta categoria tão idealizada e, ao mesmo tempo, mal-afamada, com tanta energia de um lado e de outro, dependendo da ocasião.
É uma leitura que vale muito a pena, principalmente para nós jornalistas, que nos vemos como num espelho, como nossa arrogância e nosso idealismo, nossa garra e nossa subserviência.
Apesar de a estrutura e os propósitos dos jornais e dos jornalistas terem mudado e muito em relação aos da época de Balzac (1799-1850), as semelhanças para o bem e para o mal são incríveis. E ainda tem o prefácio de Carlos heitor Cony, um dos mais reconhecidos cronistas e jornalistas brasileiros.
Os jornalistas, Honoré de Balzac
Tradução de João Domenech
Prefácio de Carlos Heitor Cony
Rio de Janeiro, Ediouro, 1999
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Acabei de presenciar uma cena que, de tão surreal, merece ser compartilhada com os leitores. No sinal de trânsito em frente à estação Central do Brasil nunca há guardas de trânsito, mas, pelo que pude comprovar hoje, eles parecem não fazer diferença mesmo, a menos que seja para aumentar ainda mais o caos na cidade do Rio de Janeiro.
Um ingênuo motorista, que ocupava um belo carro, parado no sinal, acreditou por um momento nas instituições cariocas e soltou a pergunta: “Oi, guarda, aquele ônibus está pegando passageiros no meio da rua” (para os que não são daqui, cada pista da avenida Presidente Vargas possui quatro faixas, e o tal ônibus estava na terceira!). E esta foi a resposta do representante do poder público: “Ah, não tem problema, não, o trânsito está parado.” E a discussão continuou, e eu, é claro, não fiquei para assistir o triste fim.
O carioca já está cansado de testemunhar ilegalidades de todo tipo, mas é sempre incrível perceber a dificuldade das pessoas de entender a diferença entre o certo e o errado. Nossa noção de delito, assim como nossas concepções de corrupção são muito frágeis e deficientes. É realmente impressionante. E depois querem exigir que façamos algo a respeito, enviemos cartas para os jornais, para a Câmara de Vereadores. Sinceramente, circulando nos espaços em que eu ando todos os dias, a sensação é de ausência total do poder público e, quando ele está presente, de total descaso, como mostra este exemplo de hoje.
Um livro muito interessante sobre isso é A cabeça do brasileiro (Record, 2007), escrito pelo sociólogo Alberto Carlos Almeida, a partir da “Pesquisa social brasileira”, realizada pelo instituto DataUff (Universidade Federal Fluminense) e financiada pela Fundação Ford. Almeida foi o coordenador do trabalho, em que foram ouvidas 2.363 pessoas, em 102 cidades.
Apesar de repleto de tabelas e dados estatísticos, elaborados com base na pesquisa, a obra é clara e perfeitamente compreensível. Ao discutir assuntos como o jeitinho brasileiro, a tolerância à corrupção, o preconceito e o conservadorismo da nossa população, é como se olhássemos a nós mesmos, a sociedade brasileira, no espelho. E a imagem que vemos nos deixa bem pessimistas, assim como me sinto agora.
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Estimados leitores, depois de um longo período de ausência, o Leituras & Livros está de volta, aos poucos, mas, assim espero, de forma permanente.
Este ano promete trazer muitas trocas de experiências sobre o livro e a leitura, principalmente por causa da segunda edição do LIHED – Seminário Brasileiro Livro e História Editorial, que, se em 2004 foi bom, agora com certeza vai ser ainda melhor.
Vale a pena conferir a programação e, para os que não puderem estar lá, na Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói, fica a recomendação de visitar o site após o término do seminário, pois os artigos apresentados são disponibilizados na íntegra para leitura e download, e são realmente muito bons.
Este é o endereço do site do I Seminário, realizado em 2004, que contém os textos de que falei: http://www.livroehistoriaeditorial.pro.br.
Nele, vocês encontram, inclusive, um artigo meu, a partir da pesquisa feita para a monografia da graduação em jornalismo. Veja aqui o post sobre o trabalho.
E este é o da edição atual, que acontece entre os dias 11 e 15 de maio:
http://livroehistoriaeditorial.pro.br/segundoseminario
Até logo!
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Para dizer a verdade, prefiro ir logo dizendo: minha memória não é das melhores. E, se isto se aplica ao dia de ontem, nem preciso dizer o que acontece com minha credibilidade ao resgatar experiências agora tão distantes.
Aviso dado.
Bem, ainda não me veio à cabeça uma “primeira lembrança de leitura”, assim, propriamente dita. Mas me surgem, afastadas no tempo, reminiscências, leituras selecionadas na então enorme biblioteca da escola em que eu estudava, aqui, em Niterói. Um colégio desses bem tradicionais, de padres, feiras ou afins, rigorosa e exigente, mas acolhedora, quase uma mãe.
Foi entre aquelas prateleiras, sob a orientação interessada e carinhosa da doce bibliotecária, que tirei a prova dos nove. Sim, eu ia ler para sempre.
As leituras? Variadas, mas aos nove ou dez, o encantamento maior eram as histórias de mistério. Os autores? Toc-toc! Ela, a rainha do suspense, me bate à porta da memória. Ninguém mais, ninguém menos que Agatha Christie. Os livros? Praticamente a coleção inteira – Um corpo na biblioteca, Assassinato no Expresso Oriente e assim por diante.
Tendo começado desse jeito simples e despretensioso, aos poucos o paladar foi se aperfeiçoando, tornando-se mais melindroso. Eu passaria a apreciar o realismo, o olhar crítico e sarcástico sobre a cidade, a sociedade, enfim, sobre as coisas. Resumindo: agora eu era adolescente. E, para satisfazer essa necessidade interrogadora, só mesmo ele, Machado de Assis, para me acompanhar nesta nova etapa, pessoal e literária.
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