A redução progressiva do preço das ligações dos telefones celulares foi boa por um lado e péssima por outro. Aumentou o alcance da chatice dos chatos. Impressionante. Antes o pentelho pensava duas vezes antes de fazer uma ligação, não ficava como esse sentado no banco atrás de mim, que está no telefone há um tempão discutindo sobre o Vasco x Fluminense de ontem com se fosse um assunto seríssimo.
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The Joy of Books
Livros interessantes
Estou anotando aqui quatro títulos de livros que parecem interessantes, embora (ou exatamente por isso) alguns estejam cercados de polêmica. Para mim, que preciso me ambientar mais um pouco na história do Brasil, pode ser uma boa conhecê-los mais de perto.
1808, de Laurentino Gomes (Ed. Planeta, 2007, 408 págs.)
1822, de Laurentino Gomes (Ed. Planeta, 2010, 328 págs.)
Uma breve história do Brasil, Mary Del Priore e Renato Venancio (Ed. Planeta, 2010, 320 págs.)
O queijo e os vermes, Carlo Ginzburg (Companhia de Bolso, 256 págs.)
Viver é difícil
Ultimamente tenho achado viver muito difícil, me irritado mais do que de costume, me sentido mais cansada e preguiçosa, e, principalmente, sido menos paciente com as pessoas.
Por exemplo: uns dois meses atrás fizemos um “encontrinho” em casa meio contra a minha vontade. Para nunca mais. Sempre são as mesmas pessoas que ajudam, que trabalham, que estimulam, enquanto outras permanecem com o mesmo ar blasè. Para que tudo isso? Estou fora. Ficam todos perguntando uns aos outros onde será o próximo encontro, o que faremos no fim de semana etc. e tal. E na hora H, são exatamente esses que pulam fora. Cansei de festas com biscoitos que comíamos aos 16 anos, amarelos e gordurosos. Cansei de ficar chamando as pessoas para se juntarem em momentos de descontração, que, para mim, acabam sendo mais de concentração e canseira. Chega.
Mais um sinal de que posso estar ficando velha é uma certa intolerância e uma capacidade maior de dizer as coisas. Velha talvez não seja a melhor definição, mas sim madura. Enjoei. A vida adulta (que, resumindo, significa trabalho e casa) é muito menos interessante do que parece quando se tem dezoito anos e fica torcendo para esse momento chegar logo. Na verdade, não tem nada a ver. Que liberdade é essa que a gente esperava encontrar mais adiante? Alguém me mostre, please.
Alteramos segundos de euforia passageira com horas e horas de atividades compulsórias que não nos interessam e ainda nos irritam. É exatamente o contrário. Então, para tentar contornar essas sensações pessimistas – mas também passageiras, eu sei – comecei a ler hoje A paixão segundo G.H. Espero que Clarice Lispector me inspire de alguma maneira, como sempre faz.
O senhor Swedenborg e as investigações geométricas
A mirabolância do homem comum
Em alguns momentos você precisa simplesmente fazer uma opção por você e começar a abandonar certos sonhos pouco realistas, dedicando-se aos menores e mais possíveis. (Nota explicativa: mês que vem, em setembro, faço trinta anos, então de repente é por isso que estou assim tão pensativa sobre o futuro, sonhos, expectativas etc. e tal.) Mas esse papo furado não tem nada a ver (ou quase nada) com autoajuda ou outra onda dessas, e sim com uma sensação que começa a diminuir à medida que a gente amadurece: a mirabolância.
Explico.
Quando somos jovens, e digo jovens mesmo, na adolescência ou saindo dela, sentimos quase sem querer que o nosso futuro é grande e promissor. Você não pensa só em sair da casa dos seus pais e ser independente. É muito mais do que isso. A gente sente, e de repente nem percebe isso muito bem, que o amanhã é belo, que nós somos ótimos, inteligentes, que vamos conquistar tudo o que queremos e por aí vai. Isso, no meu caso, por exemplo, significava mais ou menos o seguinte: viajar muito, circular pelo mundo todo, conhecer muita gente, ler muitos livros e assistir muitos filmes, ser descolada, independente, prafrentex. Resumindo: ter uma vida interessante e divertida, apesar dos compromissos, e, é óbvio, que essa vida seja completamente diferente da dos nossos pais, que geralmente achamos um tédio sem fim e não entendemos como eles aguentam.
Mas eis que de uma hora para outra, quando menos espera, você se torna exatamente aquilo de que você pretendia se distanciar e percebe que a vida não é nada daquilo que costumava imaginar enquanto ia e voltava da escola nos anos noventa. Os filmes, você não consegue assistir, dorme no meio (aliás, deitar confortavelmente se torna um verdadeiro perigo – é só encontrar uma posição gostosinha na cama e pronto: dormiu, e adeus filminho). E assim vamos indo, nem preciso mostrar muitos exemplos dessa coisa, porque, além de ser meio deprimente para os eventuais leitores novinhos, a essa altura os trintões ou quase já viram tudo e se identificaram com a ilustrativa deitadinha-aconchegante-bye-bye-filme-ou-qualquer-outra-coisa. Sim, essa lógica vale para aquilo também, é claro. Quem nunca passou por isso que atire a primeira pedra…
(Antes de continuar, uma ressalva: é claro que nada disso se aplica às pessoas que moram com a família. Nesse caso a situação pode ser bem diferente…)
Tudo isso, essa mudança que começa a rolar no dia a dia da pessoa de quase trinta, pode fazer você sentir uma coisa outra: uma certa depressão, ou aquela sensação de “putz, o que foi que eu me tornei?” (será que é a mais comum?), ou então um certo deixa para lá, ou “ah, esquece, a vida é assim mesmo para todo mundo”.
Durante um bom tempo, infelizmente por um período maior do que eu gostaria, e me arrependo bastante disso, me enquadrei no primeiro padrão, e me mantive pensando coisas como “que droga, olha só o que eu virei..”. Agora é que estou começando a passar para o outro lado, e tentando pensar: Não, a vida de uma pessoa comum como eu e, arrisco dizer, de outros tantos bilhões (abro mais um parêntese aqui para reproduzir a máxima muito sábia que aprendi com meu pai e repito sempre que posso: “Quem não rouba e não herda permanece na m…”), a vida as pessoas comuns não é tão divertida assim; tem gente em situação muito pior; quase ninguém consegue sair pelo mundo viajando e conhecendo um monte de gente bacana; nem todo mundo tem a sorte de andar de carro, comprar um imóvel ou ser um profissional de sucesso; a maioria morre de sono cedo e sente que o dia passou como se fosse um flash, não dá conta dos livros que gostaria de ler, dos amigos para quem queria telefonar, dos filmes que pretendia assistir. O resto pode ser pura mirabolância.
Tudo fica mais fácil se você tentar repetir um mantra do tipo: “Cara, é assim mesmo, a gente não pode dar conta de tudo. Vamos relaxar e aproveitar o que dá.” E ponto final. Game over.
Informações interessantes sobre produção gráfica
Numa palestra no Estação das Letras, soube de alguns detalhes interessantes sobre produção gráfica. Quer dizer, pelo menos para mim, que não lido diretamente com essa área.
- Se você refizer um gráfico ou uma arte qualquer dessas no estilo infográfico não é preciso pedir autorização para publicar o material nem se preocupar com os direitos autorais. É necessário apenas indicar a fonte, de onde a coisa foi retirada, ou informar que foi “baseada em tal e tal”. (Confesso que fiquei um pouco insegura quanto a essa informação e não levaria ao pé da letra sem apurar melhor…)
- De modo geral, a diferença no custo de impressão de um livro em papel couché ou offset é de 35%.
- De acordo com o palestrante, no Rio de Janeiro, as gráficas da Ediouro, Stampa, Imprinta e Armazém das Letras trabalham com projetos de impressão sob demanda. Essas são as empresas que ele conhece, mas podem existir outras.
- Também de modo geral, só para ter uma ideia, a impressão de uma tiragem de mil exemplares de um livro de 180 páginas em offset custa em torno de R$ 4.800, ou seja, cada exemplar sai por aproximadamente R$ 4,80. Se este mesmo livro for impresso sob demanda, com tiragem mínima de cem (a mais comum, segundo ele), cada exemplar custará por volta de R$ 10,00. É uma diferença considerável.
- Algumas gráficas, como a Bandeirantes, de São Paulo, prestam um serviço interessante: reproduzem títulos esgotados e cujos arquivos digitais ou não existem ou se perderam. Elas escaneiam e imprimem o material, cobrando apenas o serviço de impressão.
“E se a literatura se calasse?”
E se a literatura se calasse? Os impasses do romance da Antiguidade ao século XX
de Thais Rodegheri Manzano
(Terceiro Nome, 2011, 131 págs.)
“O romance foi último gênero literário a se consolidar e último a receber status de arte. A fascinante história das aventuras narradas em prosa, da Antiguidade ao século XX, é repleta de obstáculos, ameaças e reviravoltas, por isso sua trajetória tem o poder de encantar os leitores. Este livro mostra como a capacidade ímpar de responder aos estímulos do tempo fez com que o romance – assim batizado na Idade Média – suplantasse todos os outros gêneros literários até os dias de hoje. Após alcançar o auge de seu prestígio junto ao público com as obras de grandes autores como Balzac, Stendhal e Zola, o romance não escapou da demolição da arte a que se dedicaram os modernistas, e seus elementos tradicionais passaram a rejeitados. A crise se ampliou depois da Segunda Guerra Mundial, com os escritores às voltas com a dolorosa tarefa de retratar a realidade de uma humanidade ameaçada. A obra radical de Beckett resume as inquietações dessa época e levanta a questão: e se a literatura se calasse?”
Fonte: Editora Terceiro Nome
Mídia e promoção da leitura
Mídia e promoção da leitura literária para crianças e adolescentes: uma análise da cobertura realizada por 40 jornais brasileiros
Andi – Comunicação e Direitos e Movimento por um Brasil Literário (2011, 60 págs.)
“Em um contexto no qual a leitura é, cada vez mais, reconhecida como aspecto central para a promoção da cidadania e de uma sociedade plenamente democrática, o Brasil também começa a dedicar atenção ao papel social da literatura. Manifestar e dar corpo às suas capacidades inventivas é um direito de cada indivíduo, que começa a ser garantido desde os primeiros anos de vida.
Sabemos, também, que para o fortalecimento das políticas públicas da área o debate não pode ficar limitado a um número restrito de atores – nem, tampouco, confinado aos habituais interlocutores das áreas da educação e da cultura. Neste sentido, os meios de comunicação cumprem um papel importan- te com a finalidade de garantir visibilidade ao tema, de forma contextualizada, mas também com a intenção de cobrar avanços em relação aos diversos aspec- tos desta agenda.
A presente publicação traz os principais resultados da pesquisa “Mídia e promoção da leitura literária para crianças e adolescentes”, que analisou a cobertura sobre o tema da leitura de literatura em 1.489 reportagens, artigos, colunas, editoriais e entrevistas publicados nos mais importantes jornais diá- rios brasileiros entre 2008 e 2009.
Esperamos oferecer, com os dados disponibilizados a seguir, uma ampla radiografia da cobertura noticiosa sobre a questão, de forma a contribuir para uma visão mais clara dos desafios que se colocam para o processo de fortaleci- mento do debate público em torno dos programas e das políticas da área.
Compreendendo a comunicação como elemento essencial para a agenda do desenvolvimento sustentável, reconhecemos que um diálogo construtivo com as redações e o acompanhamento crítico do trabalho da imprensa são fundamentais para a construção de uma sociedade leitora e de um Brasil literário.”


