Ultimamente tenho achado viver muito difícil, me irritado mais do que de costume, me sentido mais cansada e preguiçosa, e, principalmente, sido menos paciente com as pessoas.
Por exemplo: uns dois meses atrás fizemos um “encontrinho” em casa meio contra a minha vontade. Para nunca mais. Sempre são as mesmas pessoas que ajudam, que trabalham, que estimulam, enquanto outras permanecem com o mesmo ar blasè. Para que tudo isso? Estou fora. Ficam todos perguntando uns aos outros onde será o próximo encontro, o que faremos no fim de semana etc. e tal. E na hora H, são exatamente esses que pulam fora. Cansei de festas com biscoitos que comíamos aos 16 anos, amarelos e gordurosos. Cansei de ficar chamando as pessoas para se juntarem em momentos de descontração, que, para mim, acabam sendo mais de concentração e canseira. Chega.
Mais um sinal de que posso estar ficando velha é uma certa intolerância e uma capacidade maior de dizer as coisas. Velha talvez não seja a melhor definição, mas sim madura. Enjoei. A vida adulta (que, resumindo, significa trabalho e casa) é muito menos interessante do que parece quando se tem dezoito anos e fica torcendo para esse momento chegar logo. Na verdade, não tem nada a ver. Que liberdade é essa que a gente esperava encontrar mais adiante? Alguém me mostre, please.
Alteramos segundos de euforia passageira com horas e horas de atividades compulsórias que não nos interessam e ainda nos irritam. É exatamente o contrário. Então, para tentar contornar essas sensações pessimistas – mas também passageiras, eu sei – comecei a ler hoje A paixão segundo G.H. Espero que Clarice Lispector me inspire de alguma maneira, como sempre faz.