
Para morar e trabalhar aqui, é preciso tomar uma decisão. Não sobre o melhor bairro ou o melhor apartamento, mas uma escolha pessoal e interior. Parece papo-furado de autoajuda, no entanto, a cada dia percebo que é mais necessário decidir entre:
1) lutar com as mesmas armas, ou seja, enfrentar a falta de educação com mais falta de educação, dando uma resposta à altura para cada pequeno acontecimento absurdo, no trânsito, na calçada, no ônibus.
(Ah, sim, esses conselhos não se aplicam aos que moram da avenida Vieira Souto e dão um pulinho no escritório da sua própria empresa para dar uma olhadinha.)
2) lutar com as armas contrárias, isto é, com total indiferença, o que acaba levando a um desprezo absoluto em relação a tudo e todos à sua volta.
(Sim, esta alternativa é bastante sedutora, mas igualmente arriscada para a cidade no longo prazo.)
3) não lutar, quer dizer, deixar de circular pela cidade sempre que isto não for necessário. Por exemplo, sair e voltar do trabalho, da escola ou faculdade, ou visitar os seus pais e amigos.
(Minha teoria, inclusive, é que muito do esvaziamento cultural do Rio de Janeiro – coisa que os cariocas mais velhos percebem muito bem – pode ser visto como consequencia do desânimo de passar um período ainda maior diante de coisas das quais você discorda ou que lhe incomodam, retinando o prazer de estar nas ruas.
É claro que, no dia a dia, acabamos nos comportando das três maneiras, de acordo com nosso humor e com o grau de descontentamento que nos causam as diferentes situações – de ônibus parados sobre a faixa de pedestres e empurrões na calçada, a motoristas que obrigam você a descer no meio da rua com os carros passando.
No entanto, admito que às vezes a apatia é tamanha, que acabamos marcando com mais frequência as alternativas dois e três. Vamos aguardar e ver no que dá.
