A discussão sobre o pagamento de direitos autorais a ilustradores de livros infanto-juvenis tem tomado fôlego nos últimos meses. E a reinvindicação desses profissionais faz mesmo sentido. Talvez em nenhum segmento o papel das ilustrações seja tão importante como na literatura para crianças e jovens, mas é claro que ainda virá um longo debate.
Em alguns livros, a narrativa visual é tão ou mais essencial ao entendimento da trama, ao resultado final, que fica difícil dizer que o autor é apenas um, o do texto verbal. Nesses casos, o texto visual assume uma dimensão que ultrapassa a simples ilustração e, realmente, me parece correto compartilhar os direitos autorais.
Nesse sentido, tenho visto alguns ilustradores assinarem como diretores de arte das publicações em que trabalham, o que pode não ser tão justo assim. Conversando com uma amiga designer semana sobre isso, chegamos à conclusão de que existem muitas escolhas e preocupações que são de responsabilidade do designer gráfico e que não tiram o sono dos ilustradores.
Estes se dedicam mais à elaboração das ilustrações, à sua coerência com o texto da obra, mas não lidam com os aspectos de design e produção gráfica e, por isso, não deveriam assinar como diretores de arte, mas sim como ilustradores que são.
Exceção feita, é claro, àqueles que são também designers e podem atuar como tal, sobretudo em razão de sua formação.
Enfim, estes são alguns pitacos iniciais, porque essa conversa ainda vai dar muito o que falar. Afinal, o segmento infanto-juvenil, seja de literatura ou de didáticos, movimenta muito dinheiro, as tiragens são bem maiores que as demais e, por isso, toda discussão tende a ser acalorada e suscitar muito disse-me-disse.
